O renomado jornalista brasileiro Pepe Escobar, que vive no exterior ora em Washington, onde viveu muitos anos; ora na Tailândia; ou em Paris, sem deixar de frequentar a crueza de guerras; ou ainda Afeganistão, por exemplo. Ele possui extensa capilaridade informativa, na qual se incluem jornalistas, analistas políticos e intelectuais dos Estados Unidos, da França, da Rússia, da China e de tantos outros países da Ásia. Conhece os labirintos e os meandros da política internacional e nos esclareceu sobre a invenção e a origem da chamada “teoria da conspiração”.

A teoria da conspiração tem sua maternidade no seio sagrado da CIA, que é a instituição-mãe da espionagem norte-americana. Historicamente, ela derrubou governos, estimulou guerras civis, praticou assassinatos e realizou operações especiais em países de qualquer bandeira ideológica. Seu poder cresceu tanto que, atualmente, ela formula e realiza a política externa do poderoso império norte-americano, assustado com o crescimento da China e com a possível parceria dela com a Rússia. O que fez crescer seus cuidados com o seu quintal composto pelos países da América Latina.

E o epíteto “teoria da conspiração” serve de proteção contra qualquer espírito crítico que se aventura no exame de situações políticas que não interessa que sejam esquadrinhadas, analisadas no contexto da realidade nacional e internacional. O pensamento deve ser hegemônico. Para isso a massificação é internacional, tal como condiz com o poderio imperial. E os incautos ou os espíritos de má-fé simplesmente imprimem no analista ou no político que visa o bem de seu país, com análise de sua história, de seu presente e sua projeção para um futuro possível, a pecha desatualizada e vencida de “comunista”.

Assumindo tal palavra como um palavrão condenatório, sem julgamento algum, por mera intoxicação midiática massiva, impede-se que se forme um movimento de opinião rebelde e redentor. Defender a equidistância do país, por exemplo, no choque de interesses imperiais que colocam frente a frente Estados Unidos e China, não é permitido pelo pensamento hegemônico, apesar dos interesses reais de nosso país desaconselharem alinhamento, muito menos alinhamento vassalo. Pela equidistância, os interesses nacionais circulam em busca de sua redenção. Essa redenção libertadora não interessa a nenhuma grande potência que não admita concorrência, só vassalagem. Tal redenção, simultaneamente com outras políticas, inicia-se pela reindustrialização do país, apequenada gradativamente, desde 1980, quando a crise da dívida externa foi criada externamente com a elevação dos juros de 5% para 12% e, finalmente, a 20%. Tal variação era direito conferido abusivamente ao credor. Um instrumento de dominação que desarticulou as economias da América Latina, como convinha ao império.

Assim, com a tal teoria da conspiração como blindagem, aparece agora para provar suspeitas antigas de que a Lava Jato – com a bandeira simpática do combate à corrupção, que deve ser diária e de todos – cometeu tais e quantos abusos que até seu vínculo com o FBI, outra instituição norte americana, faz de procuradores e seu juiz comandante reles servidores de interesses estratégicos de país estrangeiro. A denúncia sobre a visita de autoridades estrangeiras no ano de 2015, em Curitiba, estabelecendo vínculos pessoais de cooperação, sem conhecimento do governo brasileiro, viola o Tratado de Cooperação em matéria penal, assinado em 2001, que estabelece o óbvio de que a relação era, como é, entre governo e governo.

Mas a impunidade cresceu; cresceu na ilegalidade até chegar ao confronto atual e público do procurador coordenador da Lava Jato com sua colega, que foi a Curitiba, representando o Procurador Geral da Justiça. Se houve ilegalidade deve ser apurada, disciplinarmente, e se houve crime, ninguém está acima da lei, como eles mesmos diziam no auge do abuso. Afinal, na sua arrogância impune, ele pensa ter o FBI, quem sabe, a CIA, quem sabe, a Quarta Esquadra norte-americana, para sustentá-lo, a ele e ao desejado (por eles) candidato a candidato à presidência da república, em 2022.

A quinta-coluna do país agora é formada por togados e ex-togado. Enquanto isso, o Conselho Nacional do Ministério Público adia mais uma vez o julgamento do coordenador desse câncer jurídico-ético, que cresceu no seio da instituição, com projeto de poder augusto e imperial, mas vassalo de potência estrangeira.