Era um vírus só de uma “gripinha” insignificante, mas, ainda assim, tentaram esconder a estatística diária das mortes causadas por ela, talvez para que os brasileiros não tivessem sua entrada proibida nos Estados Unidos – como se isso já não acontecesse. Tentaram até isso, e assim não é exagerado supor que a historiografia oficial mudará a data da sinistra reunião ministerial de 22 de abril para o dia 1º de abril, o dia da mentira. É “fake”, ela “não aconteceu”. Historiadores e analistas a criaram por interesses políticos e ideológico.

Mas não haverá só a historiografia oficial. O mundo instantaneamente tomou conhecimento do baixo nível da pauta governamental daquele incrível encontro. Nele não se falou dos problemas do país, muito menos da crise sanitária, ainda que o capricho presidencial já tivesse feito o exército adquirir uma montanha de cloroquina, sem informar antes a razão dela, sua quantidade, seu preço, seu destino. Certo é, no entanto, de que sua ingestão causa efeito colateral e não existe determinação científica para que ela deva ser ministrada no caso da Covid-19.

Não se imaginaria que tal feito fosse possível. Foi uma reunião dirigida pela grosseria do palavrão, e se ouviu o porquê da preocupação presidencial em ter um Superintendente da Polícia Federal, no Rio de Janeiro, com o qual pudesse falar diretamente, passando por cima do Ministro da Justiça, que quis sair antes do governo para tentar servir de seu contraponto, no uso dessa viúva alegra chamada corrupção. O temor presidencial declarado era com a segurança de seus “familiares e seus amigos”.

Familiares não são protegidos pela Polícia Federal, é o Gabinete de Segurança Institucional que encerra essa obrigação em relação a tais pessoas. E amigos não devem ser protegidos nem pela Polícia Federal nem Pelo Gabinete de Segurança. Procurem a polícia civil, como qualquer cidadão.

Agora, preso queiroz, o amigo de mais de vinte anos do presidente, com o efeito imediato da redução da tensão golpista, a preocupação com os amigos aparentemente retrocedeu. Até quando é a questão?

Se a preocupação era com amigos, no plural, ela não se esgota com a prisão de queiroz. Há outros. Quais seriam?

Será que a palavra “amigos” inclui aqueles empresários e políticos investigados pela enxurrada intoxicante de “fakes”, esparramadas durante o período eleitoral, e depois contra os Poderes da República? Mas eles estão no inquérito do Supremo Tribunal Federal. Eh! Mas amigos são amigos, e para ele, presidente, os órgãos do governo existem para protegê-los, como gratidão, certamente. Mas até perdendo o pudor da aparência? Até.

O governo oferece novas mesquinharias para desacreditar-se, descreditando-se.

A participação oficial na fraude da fuga do ex-Ministro da Educação para os Estados Unidos, indicado ao Banco Mundial como diretor, atropelando a proibição de seu ingresso como brasileiro, envergonha o país, transferindo ao humorista José Simão a melhor crítica desse descrédito: “Agora, ele será analfabeto em dois idiomas.”

O sucessor ao Ministério, que foi oficialmente indicado pelo presidente, mas o ato ficou engasgado porque o currículo era inflado de “fakes”, porque ele não é doutor pela Universidade de Rosário, na Argentina, nem o professor que ele diz que teria sido, na Fundação Getúlio Vargas.

Nova tentativa. Um novo Ministro da Educação quase foi nomeado. Faltou pouco, mas o quase não deixou.

Por sua vez, no Ministério da Saúde, com essa crise universal da Covid-19, também não temos médico, nem pesquisador, nem cientista comandando a área.

Mas por mera gesticulação e desencargo de consciência, repitamos o que vem de longe: “Esse é o país do futuro”.

Qual o caminho para o futuro com um governo desgovernado, quando não desastrado? Eis a questão.