No domingo, dia 22 de março, a TV Brasil apresentou às 23 horas um programa imperdível, daqueles que nos fez e faz esquecer tantos vírus quantos forem os jovens brasileiros que se abrem à vocação de viver alegremente num país estruturado na democracia, e que sabem se orgulhar da confluência do índio, do branco e do negro em nossa formação histórica, realizam a promessa –  já cansativa e sempre adiada –, de ser um país igual, soberano e livre.

Não é possível assistir a um espetáculo como o apresentado sem pensar na lição de Mangabeira Unger, quando enaltece a potencialidade dispersa e anárquica do povo brasileiro, seu gênio, sua criatividade, que aguarda sua cristalização organizada, para inspirar a criação de instituições enraizadas nessa diversidade rica de talento e de vida.

A TV Brasil simplesmente apresentou a JOVEM ORQUESTA DE PAQUETÁ.

Paquetá, nome indígena, que significa “muitas pacas”, situa-se ao noroeste da Baia da Guanabara e tem aproximadamente 4.500 habitantes, salvo a quantidade de turistas flutuantes, que faz crescer o número de pessoas durante a temporada.

No entanto, nasceu ali o projeto BEM-ME-QUER PAQUETÁ, que se dedicou à formação continuada de música de concerto, estimulando crianças para essa atividade como um despretensioso traço, um norte, uma vela acesa, um rumo, construindo a animação do desejo de ser e de conquistar. E eis que esse grupo, o qual começou só com violinos, acabou se constituindo em orquestra de concerto, com violinos, clarinetas, oboé, percussão, violoncelo, contrabaixo, clarineta, viola. A maturidade desses jovens os levou à sua primeira turnê, na Alemanha, em 2014, que durou trinta dias, conquistando a admiração e o sucesso daquele auditório com um público musicalmente exigente.

A turma se formou ali, na Casa das Artes Paquetá, essa ilha cuja geografia, lindíssima, forma com 15 outras um belo arquipélago. Já em 1556 o local extasiava seu descobridor, o francês André Thevet, líder da expedição francesa. O arquipélago chama-se Paquetá, nome dado por ele. Mas a sabedoria do tempo impregnou-o de um sentimento de espera sem nome, que hoje a gente confere a ela o perfil de um sonho de todos os habitantes daquela área; esses que um dia adivinharam algo, que não sabiam o que era, mas seguramente seria de jovens, uma vez que a juventude é a esperança e a música é o esperanto, linguagem universal da arte.

Impressionante a maturidade dessa turma que se expressa movida, quem sabe, pela sensibilidade dos antepassados que o tempo traz invisivelmente, ensinando às almas o como capturar e converter em expressão de beleza o essencial do marulho do mar, a brisa ou o vento, castigando suave ou forte o rosto da realidade que todos querem transformar, para que todos possam usufruir da vida decente de que temos direito, e mais: ligados à natureza que não gosta de ser machucada, muito menos destruída.

A juventude musical, como orquestra de concerto de 20 jovens, entre 13 a 22 anos, numa cidade de aproximadamente 4.500 habitantes converte-se no evangelho de que é possível.