Os prefeitos dos municípios que compõem o Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Ribeirão Preto reuniram-se e, após mandato de dois anos, Antônio Duarte Nogueira foi reeleito presidente.

Se o trabalho não tiver como hábito um sentimento de urgência, ele não estará em conformidade com a responsabilidade coletiva que deu causa ao surgimento dessa região, nem de acordo com as necessidades prementes das comunidades urbanas e rurais.

Ao final da reunião falou-se que, depois de dois anos “houve um despertar da importância de discutir o planejamento não entre as cidades isoladamente, mas dentro da própria região metropolitana”.

Essa é uma declaração no mínimo infeliz, porque está no núcleo da criação de uma região metropolitana a sensibilidade e a captura de problemas comuns entre municípios vizinhos, que só podem ser resolvidos com planejamento. Por isso, o nascimento de uma região metropolitana traz, em si, a vertente necessária e fundamental do planejar como premissa.

Agora, demorar dois anos para perceber essa realidade, propondo-se ainda discutir a ideia do planejamento, é não dar esperança nem de eficiência nem de criatividade.

Recentemente, a notícia era de que os prefeitos da região metropolitana estavam com “dor de cabeça” por causa do lixo. E, sempre que se sugere acúmulo de lixo, aparecem na lembrança imagens daquela cidade italiana com o lixo acumulado por causa da greve dos lixeiros. Visão de um desastre.

Ora, a nossa região metropolitana poderia iniciar com força e ousadia o estudo da reciclagem do lixo. Até porque, além de lixo ser riqueza, quando recolhido e reciclado, limpa o meio ambiente.

Ao se falar em meio ambiente, procurando protegê-lo, tem-se o valor pedagógico da mobilização em torno de uma pauta que não é só nacional, como a da água. Apesar dessa densa responsabilidade, cai-se no colo da viabilidade econômica e financeira, uma vez que as receitas municipais não estão gordas, mas nem por isso, ou até por isso, se deve planejar a partir de agora. Porque, afinal, lixo é riqueza.

Se há pouco tempo a viabilidade de uma central de reciclagem pressupunha população de trezentos mil habitantes, poder-se-ia pensar em mais de duas usinas de reciclagem dentro do território da região metropolitana.

Está aí o instituto do Consórcio Municipal, que é pessoa jurídica e que poderá ser integrado por muitos ou por todos os municípios.

Afinal, os lixões engolem uma despesa enorme, e o veio freático está sempre disponível à contaminação. E, como o lixo é uma riqueza, se não reciclado tem-se o prejuízo daquilo que poderia ser arrecadado.

Essa questão é tão importante, grave e urgente que seria o caso de uma convocação extraordinária para se obter uma rápida tomada de decisão.

Em Ribeirão Preto, a Câmara Municipal tem no arquivo um relatório da comissão presidida pelo ex-vereador prof. Gilberto Abreu, que poderá ser uma primeira referência para iniciar a solução de um problema grave. Tal sugestão é dada com a consciência do hábito de descontinuidade do trabalho político de quem não integra o pelotão político-partidário que está com as rédeas do poder.