Este governo iniciou com um brado significativo – ele será caudatário da política e dos interesses norte-americanos. Trump sorriu com essa gratuidade, mais do que oca, do representante do maior país da América do Sul, e certamente comentou baixinho: “Nunca foi tão fácil!”. Ele certamente continuou murmurando: “Nunca foi tão fácil!”, mesmo depois que seu advogado, em depoimento e sob juramento no Senado norte-americano, celebrou-o como um racista e vigarista. Mas ele continua murmurando: “Nunca foi tão fácil!”.

Para fazer Trump ainda mais feliz, o filho do Presidente brasileiro, eleito senador, foi lá e não economizou continência, lançando euforicamente, com bonezinho e tudo, a campanha pró-Trump 2020. E Trump, outra vez, sorriu zombeteiro, com aquele topete de conquistador de esquina, comentando com quem sobrou de seus secretários: “Nunca foi tão fácil!”.

Se na campanha ele queria porque queria um encontro de “amor político” com o Presidente Trump, só para antecipar o gesto humilhante do joelho dobrado, assim de graça, agora ele será sim recebido, inclusive, com um jantar de gala, já denominado de “Santa Ceia”. Será o auge. Se ele aparecer com a camisa do Palmeiras, então muitos dirão: “Como ele é espontâneo!”. Se o FBI descobrir que é falsificada, a gargalhada vai ser geral.

Quando se lembrarem do militar brasileiro, desembarcando com sua “inédita adesão” ao comando de Craig Faller, no Fort Sam Houston, em San Antonio (Texas), num esquema para fazer dos inimigos escolhidos pelos interesses econômicos e estratégicos dos EUA os mesmos inimigos do Brasil, justamente “Rússia, China e Irã (que) são os que transacionam os negócios do petróleo por moedas alternativas ao dólar”. Pois bem. “O que o Brasil ganha com isso?”, pergunta Maria Cristina Fernandes (VALOR  14/02/2019). Trump, o zombeteiro, o racista, continuará baixinho sua ladainha: “Nunca foi tão fácil!”, “Nunca foi tão fácil!”.

Quando baterem a taça pela venda de parte da Embraer e o aluguel comercial da base militar de Alcântara, no Maranhão, Trump não resistirá; ele irá bater a taça para quebrá-la, porque afinal… nunca foi tão fácil!

 Mas aqui, internamente, a imprensa é atacada, e o Presidente veicula em seu próprio site uma cena pornográfica do carnaval. Enquanto isso, o noticiário sobre a milícia do Rio de Janeiro está precisando de uma imposição de limite, que já chegou. O delegado que investigou a morte da vereadora do Rio de Janeiro aprendeu muito sobre as milícias, e talvez chegasse mais fácil ao mandante, mas o Brasil não conta com a eficiência dos eficientes.

Quando falarem do pré-sal, parcialmente revogado no auge de uma crise institucional e secundado por isenção de impostos das multinacionais, cujo valor, num determinado período, chega a um trilhão de reais? Mas eles não falam que a Previdência Social vai acabar com o país? Aqui, Trump, na sua espontaneidade moleque, vai dar um bicudo no traseiro do primeiro que tiver a sua frente, por quê? Porque “nunca foi tão fácil!”.

Quando Trump souber que os jovens matadores de Suzano, no Estado de São Paulo, imitaram a matança de Columbine (1999, 15 mortes), ele vai fingir tristeza pela desgraça, mas também reservará forte alegria por saber da força de imitação da realidade de seu país, não só para os quintas-colunas adultos, mas também para as crianças, que infelizmente rumaram pela e para a estupidez solta no humano destroçado.

Quando Trump ler que um líder de nosso governo declarou que as crianças de Suzano não morreriam se os professores estivessem armados, ele vai ficar desnorteado com tanta identidade na sabedoria do desvario, dele e do nosso líder. Ele avançará dizendo ao mundo que se as crianças estivessem armadas, elas frustrariam as armas assassinas, e se bem treinadas, talvez liquidassem os jovens matadores.

 E Trump não resistirá: ele mandará hastear a bandeira de seu país e a do Brasil, com afeição dedicada ao protetorado nascente.

Eis uma vertente sombria do Brasil, que perdeu seu sentimento de nação, mas que será grande num dia lá longe… lá longe… lá longe.

Publicado em: A cidadeON. Ribeirão Preto, 17 mar. 2019.