Na história política do Brasil, dois nomes diferenciaram-se nas vertentes político-partidárias, mas o tempo acabou por revelar um ponto comum do pensamento e da ação deles: Leonel Brizola e Jânio Quadros.

Leonel de Moura Brizola era político destemido, objetivo, determinado e forte, com sua palavra de orador consagrado, sempre combatendo “as perdas internacionais” do Brasil, em defesa de um projeto nacional, que era, como é, difícil de concretizar enquanto uma consciência organizada, democratizada e cívica, não o assumir de vez.

Jânio da Silva Quadros, da oratória pausada, palavra escorreita, língua portuguesa caprichada, empolgava multidões com seu jeito maneira de atuar politicamente, em sucessivos embates eleitorais, para os quais partidos políticos, especialmente os conservadores, o desejavam como candidato seu.

Em depoimento de um sobre o outro, em documentário recente veiculado pela TV-Brasil, Brizola conta um episódio de Jânio que nunca ninguém considerou, especialmente no entorno de sua renúncia da presidência da República.

Jânio, presidente, marcou um encontro, em abril de 1962, lá na fronteira, na cidade de Uruguaiana, com o presidente Arturo Frondizi da Argentina, convidando Brizola, governador do Rio Grande do Sul, para acompanhá-lo. Era a continuidade das relações bilaterais entre os dois países, visando a política de desenvolvimento. Já a caminho, de repente, Jânio disse, em tom de confissão: “Governador, o Brasil tem de seu só a bandeira. E chorou”.

A rigor, naquele tempo vigorava a estratégia desenvolvimentista, adotada pelo presidente Vargas em 1930, que garantia um crescimento e que alcançara um grande êxito, conforme registro de Luiz Carlos Bresser-Pereira (Em Busca do Desenvolvimento Perdido, Editora FGV). E ele prossegue: “Mas a partir da elevação brutal da taxa de juros americana em 1979 e da chegada ao poder, em 1979 e 1981, de dirigentes neoliberais nos Estados Unidos e no Reino Unido, os países em desenvolvimento primeiro mergulharam na Grande Crise da Dívida Externa dos anos 1980 e, depois, diante da própria debilidade e da pressão do Norte, rederam-se ao neoliberalismo e à ortodoxia liberal”.

Seguramente, a desindustrialização do Brasil tem sua raiz na crise da dívida externa.

Atualmente, uma nova política de industrialização inclui necessariamente a da inovação tecnológica, e não exclui a da sustentabilidade (meio ambiente saudável), que circula fortemente na realidade sócio-político e cultural. E a possibilidade dessa construção pressupõe unidade de propósito e de ação, entre empresários, trabalhadores e governo democrático.