“Fracassei em tudo o que tentei na vida.

Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.

Tentei salvar os índios, não consegui.

Tentei fazer uma universidade séria. Fracassei.

Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.

Mas os fracassos são minha vitória.

Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.”

Darcy Ribeiro

 

No íntimo, milhares de brasileiros perguntam-se como, por que e quem foram os beneficiados das mudanças substantivas, já que se realizaram rapidamente, nas políticas públicas do país, sem que houvesse discussão aprofundada e sem que dela participasse a sociedade civil, já que se sabe que os partidos políticos não encerram a representatividade da soberania popular, e o atual Congresso Nacional, naquilo que seria um resíduo de representatividade, teve a sabujice de sua maioria curvada à entidade mitológica do “divino mercado”, atrás do qual se escondem os interesses multinacionais, que se confundem com os interesses financeiros e empresariais de nosso riquíssimo país.

Não se compreende essa entrega à imprevisibilidade governamental, porque está na sociedade, mesmo nas vertentes organizadas, ideia clara de que o Brasil requer planejamento para suas políticas e para seus governos.

Essa ideia de planejamento não é nova, porque foi introduzida fortemente no governo Juscelino Kubitschek com seu Plano de Metas para ser realizado nos cinco anos de seu governo (1955-1960).

Mas o descontrole institucional existente com a controvérsia aterradora do impeachment fez o Brasil retroceder décadas, em razão da necessidade de substituir-se a ilegitimidade do voto inexistente pela curto prazo de sucesso das políticas de ruptura, como se o fato consumado conquistasse a confiança que o governo não tem, e que a sucessão de pesquisas o comprovam.

Luiz Carlos Bresser-Pereira alerta para que recuperemos a ideia de nação, cujo esvaziamento progressivo data do inicio da década de 1990, propondo para isso a elaboração de um plano econômico, suprapartidário.

Outro que advoga publicamente a mesma ideia de planejamento prévio é o empresário Abram Szajman, com o artigo intitulado “Sem planejamento não haverá crescimento” (Folha de S.Paulo, 18 set. 2017).

Nesse mesmo sentido, o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas (Folha de S.Paulo, 29 jul. 2017), declarou “Falta-nos uma identidade e um projeto estratégico de País com letra maiúscula. Por isso, costumo dizer que estamos à deriva”.

Ora, se um economista renomado, como Bresser, faz uma proposta acima de qualquer interesse partidário, se um empresário de sucesso, com a experiência de liderança de Abram Szajman, defende a mesma ideia do general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército nacional, fica a ansiosa interrogação: por que esses representantes de forças consideráveis de nossa realidade não estabelecem um dialogo objetivo, para colocar o Brasil e seu povo no caminho de um desenvolvimento sustentável, imediatamente?

Esse é nossa primeira vontade de realização nesse início de ano novo, para que coloquemos o que interessa ao país em primeiro lugar, e sepultemos essa ideia de autodefesa a qual se propõe o governo, dentre os estilhaços do sistema político.

Se o general diz que o Brasil está à deriva, o embaixador Rubem Ricupero disse o mesmo, quando afirmou, em 2017, que “ninguém quer tirar fotografia com o Brasil”.

Um diálogo objetivo, produtivo e criativo engrandecerá a sociedade civil, nosso empresariado, nosso Exército e nossas instituições.