Natal é a melhor sugestão de silêncio.

Natal é o momento do encontro da pessoa consigo mesma, sob o fluxo de um fato histórico que mobiliza milhões de pessoas em todo o mundo há mais de dois mil anos.

Natal revela a simplicidade do nascimento sem pompa daquele que dividiu o que era de Deus e o que era de César, gerando perplexidade, pois se entendeu claramente que César não era Deus.

Natal lembra os simples de consciência e alma, independentemente da riqueza exterior; e para os ricos de todos os naipes fala da igualdade essencial da pessoa humana.

Natal gera o silêncio, que gera a reflexão, que inflete o olhar para o mundo.

César continua acordado no tempo, dirigindo o terrorismo dos Estados.

César continua acordado, fingindo governar com justiça.

César continua acordado no tempo patrocinando as desigualdades e as guerras entre as pessoas, entre as nações.

César continua perseguidor dos sonhadores.

César continua por meio de seus sequazes, bombardeando homens, mulheres e crianças pelo mundo afora.

O Natal, na celebração teimosa de cada ano, é um dedo em riste ao César de todos os tempos e de todos os lugares, como que o prevenindo, avisando que a esperança seguramente o vencerá.

Natal, 2017