Quando a voz de Regina Casé, envolvida na beleza estética de danças, coreografia e luzes, para revelar, na linguagem criativa da emoção, a formação do povo brasileiro, gritou “Viva a diversidade”, o motivo de toda aquela celebração, não pude deixar de pensar que, em uma crise econômica, política e institucional, os esgotos fornecem material e ideias, como essa da “escola sem partido”.

Essa ideia, que veicula o dedo-durismo como instrumento da pedagogia discriminatória e excludente, é um filhote daquele conjunto ideológico autoritário que se chamou de fascismo na Itália, de nazismo na Alemanha, e de comunismo na União Soviética de Stalin.

Em São Paulo, os idealizadores dessa miséria distribuíram um panfleto cuja frase final representa a convocação da estupidez: “Todos devemos denunciar os abusos cometidos por professores em sala de aula!”.

Seguramente, esse método é um acréscimo à violência reinante, que tem levado professores, que às vezes simplesmente censuram ou reprovam algum aluno, a serem agredidos, porque o ato é interpretado sempre como um abuso.

Porém, esse não é o melhor argumento, pois o fundamental é a coexistência dos contrários, sem desejo real ou dissimulado de equipará-los, especialmente nas escolas públicas, para que a criança cresça com diferentes visões do mundo, e a denúncia, em si, é um caminho de degradação ética, que se oferece à mente da criança e do jovem.

Uma ideia imposta como única e verdadeira no país da diversidade, qualquer que ela seja, se projeta na história nacional como um vírus que ataca os que querem evitar que o Brasil vença esse seu atribulado momento e se coloque, consciente de seus interesses de desenvolvimento e paz social, na construção de sua identidade. O ponto de partida da diversidade constitui o espírito que as Olimpíadas representam, e que o Brasil aplaudiu e se emocionou na luz encantada do grito que inspirou Regina Casé.

O Brasil e a sua diversidade ética e cultural para o mundo.

O dedo-durismo, eleito como instrumento da pedagogia da denúncia, será coerente se definir Olimpíadas como “abuso da diversidade”.