Só faltou algum político declarar que sua participação na conquista da lei estadual sobre a Região Metropolitana de Ribeirão Preto prendeu-se à sucessão de orações piedosas, mas fervorosas, que ele teria feito, assim compungidamente, em silêncio, dele com ele.

Ainda assim não se ouviu, e talvez se faça aqui uma injustiça, nenhum destaque, merecido aliás, ao vereador Maurilio Romano Machado, que encarnou a bandeira dessa Região Metropolitana com aquele vício de se preparar tecnicamente para enfrentar um desafio, como ele fez e faz incansavelmente.

Está aí a Região Metropolitana com 34 municípios agregados debaixo desse guarda-chuva legal e regional à espera de planejamento integrado e ação coordenada.

Porém, no discurso inicial de muitos a ladainha foi de que agora teremos mais recursos financeiros distribuídos pela União e pelo Estado.

Teremos, sim. Só que antes de decantar os possíveis recursos é preciso marcar, remarcar, registrar, repetir, para conscientização geral de que os recursos poderão vir para Ribeirão Preto ou para qualquer cidade da extensa região em decorrência de um planejamento, dentro do qual se definam prioridades.

Assim, a simplicidade do preço de um interurbano entre tais cidades, que vai deixar de ser pago, é uma simplicidade só diante dos grandes e graves problemas que afligem a região.

Um desses problemas que poderia contribuir para dar um ar de inovação, de coragem política e de decisão responsável envolve certamente o problema do lixo e sua reciclagem, pois ele constitui um potencial de riqueza, que desperdiçado, seja nos aterros sanitários ou jogados ao deus-dará, apresenta um passivo social que compromete o meio ambiente saudável.

Portanto, a palavra forte, o verbo da atualidade, de um discurso político responsável é planejar sem o que não haverá conhecimento aprofundado da realidade, não se definirá prioridade por isso, não haverá recurso, e só haverá Região Metropolitana um pouco além de uma lei, que, por si só, não faz o milagre da transformação.