A música é o esperanto da arte.

Foi por isso que aconteceu a sessão solene da Câmara Municipal com a justa homenagem organizada pela iniciativa do vereador Marcus Papa, concedendo o título de Cidadã Ribeirão-pretana à professora e mestre Gilda Montans.

O título de cidadania é o reconhecimento formal do mérito pessoal e coletivo. É a honraria entregue como gratidão social no ambiente em que a representação popular se engrandece no acerto do ato justo, pois inclusive serve de irradiação da vida e da obra de quem orgulha a história da cidade.

O instrumento mágico de Gilda Montans é o acordeão, para cujo desempenho parceiro contou sempre com a presença de Meire Genaro, no encanto de tantos e tantos eventos, que se sucederam em mais de trinta anos de convívio musical, que ultrapassou os limites geográficos da cidade.

Se Gilda Montans ficasse como professora, em sua cátedra, formando musicalmente as gerações que formou, ela já ocuparia um lugar de destaque na história da cidade, que, em seu testemunho final, quando agradeceu, expressou síntese, que deveria, como se espera, ser registrada nos anais da Câmara.

Porém, sua sensibilidade, que atiça a leveza de seus dedos e sua inspiração como compositora, serviu de ponto de encontro, no correr do tempo, para milhares de pessoas que são predispostas àquela viagem, na ânsia de participar da confraria da alma e do espírito, por meio do som e da palavra ritmada.

Noite de primor de sensibilidade, com músicos festejando a sua musicista, com o canto coletivo do Coral da Unaerp e com Adriana Silva confessando, na tribuna, o ponto vulnerável da fibra de sua criatividade, que, para despertar, socorre sempre às músicas “Rosa” e “Trenzinho”, que estão no CD e DVD de Gilda.

Lá da sua Altinópolis veio o prefeito da cidade para celebrar a missão agregadora da filha ilustre e anunciar que as crianças sempre cantam o “Hino” da terra, obra da homenageada com Desdemona Moura, a Dona Dedê.

O propósito dessa reunião solene assume a natureza do milagre musical, já que artista, felizmente, não morre. Ele deixa a sua obra como a carne viva de seu tempo histórico.