Acredita-se ter sido a competição histórica entre duas ou mais pessoas relativa à paternidade de uma ideia inovadora que nos leva a supor que, quando a inspiração dela acontece, ela se dá em duas ou muitas pessoas sincronicamente.

Um exemplo próximo é o da adoção simultânea da iniciativa de instalar o Centro de Debates Culturais tanto na Academia Ribeirãopretana de Letras, sob a presidência de Marcos Zeri Ferreira, como na Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, sob a batuta de Adriana Silva.

Retoma-se com isso o que foi o Parlamento Estudantil no final dos anos 1950 no Instituto de Educação Otoniel Mota, que o professor Lourenço da Silva Torres concebeu para eletrizar as manhãs de domingo, com efeito positivamente exuberante a ponto de uma escola de Igarapava comunicar a celebração de seu Parlamento inspirado no nosso.

A propósito, o livro de Marcus Vinicius da Cunha, O velho Estadão, que nos leva caprichosamente pelo túnel do tempo à inauguração, em 1907, do antigo Ginásio do Estado, hoje Otoniel Mota, cercada pelos circunstâncias de uma época predominante machista, coronelista e registra, que o jornal A Palavra (dos estudantes) do Centro Culto à Ciência (dos estudantes), em 1911, veiculava que “ia promover um debate sobre esta pergunta verdadeiramente filosófica: Será o homem superior à mulher em dotes intelectuais?”.

Mas o que ocupava os ares, nos anos 1950, era mesmo o Centro de Debates Culturais da antiga PRA-7 (Prefixo Radiofônico 7), que trazia pessoas, inclusive políticos, para ensinar a decifrar a realidade brasileira e sua rica diversidade. Um exemplo, foi a conferência do deputado federal Dagoberto Sales, do antigo PSP (Partido Social Progressista) ademarista, que fora relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre minerais atômicos, e que nos tinha feito a revelação estonteante dos navios que transportavam para os Estados Unidos, com cara de paisagem, após a pilhagem, as areias monazíticas das praias do Espírito Santo para irem como seu calado, que é a “distância vertical da quilha do navio à linha de flutuação”.

Recentemente, o jornal Enfim, em bela reportagem, reviveu esse centro de irradiação da consciência cívica e social da cidade e da região que a PRA-7 realizou exemplarmente naquele auditório do prédio construído, especial e pioneiramente, para ser emissora de rádio e televisão e que hoje é uma casa comercial, cujo auditório histórico foi convertido em depósito de mercadorias.

Mas, para culminar essa etapa do tempo e do modo nessa linha de morte e ressurreição de ideias e instituições, surge no cenário político, exatamente no seio da Câmara Municipal, uma iniciativa que enobrece seu idealizador e proponente, que é o vereador Jorge Parada, que valoriza o Poder Legislativo, tão criticado às vezes, como centro de autoria coletiva.

A Resolução 175/2015, assinada pelo vereador Walter Gomes, institui o Parlamento Juvenil, cujo Artigo 1o inaugura uma política pública de cunha pedagógico, em prol da expansão da consciência democrática de uma juventude que será seduzida pela simbologia da tribuna em cada sessão que será transmitida pela TV Câmara.

Esse Artigo 1o está assim redigido: “Fica criado, na Câmara Municipal de Ribeirão Preto, o Parlamento Juvenil, destinado a propiciar aos alunos dos cursos de ensino médio das escolas sediadas neste município o conhecimento das atividades do Poder Legislativo e possibilitar a contribuição direta dos estudantes com as autoridades municipais”.

Os parlamentares juvenis, com seus suplentes, em número igual ao dos vereadores, deverão ser eleitos nas escolas participantes para um mandato de doze meses. A posse está designada para 29 desse mês de junho.

Rigorosamente, a certeza é que haverá espaço para que discutam da tribuna a pauta que os jovens escolherem.