É só estar ali, à noite, no auditório da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP, ouvindo os jovens solistas da Faculdade de Música na apresentação especial da série Direito Tem Concerto, com viola, violino, violoncelo, contrabaixo e clarinete, sob o manto regente e inspirador do professor e compositor Rubens Russomano Ricciardi, para se perguntar, no final, se é possível amadurecer antes da hora. É, sim, a prova estava ali, pois basta a vivência do amor disciplinado à arte.

No repertório da noite incluíram-se, também, partituras do Brasil antigo, que o garimpo de Ricciardi descobriu e plasmou, como artesão do arranjo musical que é.

A importância do evento trouxe a reitoria da USP, na pessoa do secretário-geral, professor Ignacio Maria Poveda Velasco, para presidi-lo.

Mas o cenário não era só dedicado à beleza musical. Era noite de concessão de título de professor emérito. Um aplauso prolongado e justo, sem fim, à produção intelectual que orgulha mundialmente o Brasil.

As duas inteligências parceiras, que o mundo do direito conhece, reuniram-se, trazendo cada uma a investidura da cátedra universitária, o exercício da advocacia, a militância qualificada da política, sendo que um, Celso Lafer, já professor emérito, com a verve de cultor insuperável do direito, foi escolhido e convidado para saudar seu igual, Luiz Olavo Baptista, que receberia, como recebeu, igual investidura na homenagem.

Luiz Olavo Baptista era, já como jovem advogado, uma fonte de invenção jurídica, que o destacava entre tantas e muitas inteligências de nosso tempo. No discurso de posse da cadeira de Titular de Direito do Comércio Internacional, da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em 1994, três décadas após seu diploma de bacharel, sua fidelidade a si mesmo era revelada na sua reivindicação de inovar sempre, porque ele não estaria e não aceitaria estar “onde minha criatividade não pudesse existir e minha liberdade se exercer”.

Luiz Olavo Baptista escreveu Empresa Transnacional e Direito quando o assunto era motivo de artigos esparsos. Ele chamou a si o tema dessa realidade então crescente, e sua sistematização abriu-lhe mais o mundo do comércio internacional liberalizado e com a intensidade da revolução da era digital, especialmente após a queda do Muro de Berlim. Foi o desafio para serem construídas soluções sob o impacto não só de culturas, mas de sistemas jurídicos nacionais, diversos, múltiplos, que se colocam à disposição da necessidade de harmonizá-los diante de um problema concreto, como interesse de empresas poderosas que ultrapassam fronteiras e que disputam, mais e mais, espaços na área dos produtos e dos serviços.

A Organização do Comércio Internacional (OMC) conta com a sua contribuição na Corte de Apelação, e sua passagem por instituições, associações e universidades nacionais e internacionais confirma a justiça da homenagem prestada, pois quando se reconhece o mérito é porque há potencialidade que com ele se identifica. E nossa Faculdade de Direito já se postou para lançar raízes profundas no ontem e no hoje, para responder com criatividade o desafio do futuro.

A única ausência foi a da Rádio USP, que não deu ensejo à comunidade de participar dessa marcante cerimônia.