Li recentemente uma matéria sobre um evento público organizado pelo conceituado jornal A Cidade e pela televisão. Um evento oportuno, aliás, e promissor com certeza, que se realizará na cidade, cuja pauta é a revitalização do centro de Ribeirão Preto.

Única estranheza foi registrar a ausência, ao menos na matéria jornalística, de quem realmente concentra uma responsabilidade única, e não pequena, a ausência do grupo de empresários e não empresários que realmente iniciou a campanha, levantando a temática da revitalização do centro, que se tornou irreversível, tanto que foi dado o início aos trabalhos do calçadão. Esse grupo reúne-se sob a sigla AMEC, que se tornou entidade registrada como Associação dos Empresários e Moradores do Centro.

Desprezar a fonte originária dessa força merece uma explicação persuasiva e convincente, já que sempre a entidade recebeu o apoio irrestrito dos órgãos de imprensa e foi ela que trabalhou fortemente nas ruas, com abaixo-assinado e faixas, e com toda uma movimentação explícita, convertida em eficiente pressão sobre os poderes públicos locais, e convertida também em significativo olhar, apoio e despertar da população em geral.

É verdade que o interesse púbico, em tese, não pode ser dividido. No caso da chamada revitalização do centro, a força original que levantou a questão e o problema não pode ser esquecida, pois, a defesa do interesse público não permite, é verdade, exclusividade ou monopólio. Fundamentalmente, não esquecer a força original significa praticar o verbo da união, em nome da solidariedade no estudo, na discussão, no planejamento e na prática propositiva e reivindicatória, que sempre é enriquecida pelo agir de quem se liga a esse vínculo de trabalho coletivo, em prol da comunidade.

Pergunta-se qual seria o motivo para explicar a ausência da AMEC (ou ela ainda será formal e oficialmente convidada?) desse prestigiado evento, já que ela tem o protagonismo da luta pela revitalização do centro de Ribeirão Preto?

Não é permitido imaginar que esse esquecimento seja deliberado, porque, se assim fosse – hipótese absurda invocada para mera argumentação –, ter-se-ia de admitir a tentativa absurda de colocar a AMEC no arquivo do esquecimento, pretensão que jamais existirá, até porque sua atuação fiscalizadora e propositiva continua atualíssima, e a revitalização do centro não significa só um novo calçadão, mas um projeto que inclui sua extensa área, envolta em política pública que terá, seguramente, o apoio dos empresários, dos moradores, das pessoas que vivem, circulam e trabalham no centro, assim como de toda população de Ribeirão Preto, pois, dia a dia, cresce a consciência da necessidade de se ter um núcleo ou espaço irradiador de civilidade, beleza estética e convivência saudável, cuja ambiência se esparrama para todo o território do município.