Quando Ribeirão Preto teve a sorte de ter no nascimento de sua Faculdade de Medicina o professor Zeferino Vaz, não se podia pensar que, anos depois, nós teríamos a sorte de testemunhar que outra pessoa, igualmente capaz, com espírito de liderança, competente, realizador, organizador, de sensibilidade aguçada, pudesse, no campo das ciências jurídicas, fazer em tão pouco tempo um centro de reflexão e pesquisa, como é a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, sediada em nossa cidade.

Trata-se do professor Ignacio Maria Poveda Velasco, que, às vésperas de deixar o seu cargo de diretor por cumprimento de seu tempo de mandato, recebe de alunos, de professores, de servidores e de toda a comunidade jurídica do país a justa homenagem que lhe dedicam.

A par de sua vocação especial para o comando de um empreendimento de tal envergadura, ele traz uma sensibilidade incomum, voltada às artes, particularmente à musica.

Em cinco anos, um prédio como aquele. Em cinco anos, um anfiteatro como aquele, com um piano de cauda que se iguala ao do Theatro Pedro II em sonoridade leve e forte, seguindo o dedilhar de um mestre, que, ora por vez, pode ser um aluno da própria universidade. Em cinco anos, um invejável acervo de livros, que serve a quem dele necessite. Em cinco anos, a Faculdade desponta em primeiro lugar nos exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A Faculdade de Direito está instalada num prédio novo e arejado, bem construído e bem planejado, de construção espartana, como que coerente com o espírito implantado por seu diretor, porque aberto e disponível à realidade da cidade e do mundo, como que desejando que alunos e professores, com o intercâmbio multidisciplinar sem fronteiras e sem preconceitos de quaisquer natureza, possam descobrir e traçar um desenho de convivência social, justa, livre e democrática, com visão crítica e criativa.

Nesse curto período, Ignacio enfrentou oposição pontual, especialmente de quem não aceita o regime de exclusividade no trabalho de pesquisa e docência, como ele defende.

Ele já recebeu merecidamente o Título de Cidadão Ribeirão-pretrano, que lhe foi outorgado pela nossa Câmara Municipal. Com o título, ele simbolicamente está aninhado no coração agradecido da cidade, como objetiva e concretamente está inscrito na sua história política, jurídica e social, enaltecendo também com seu nome e sua obra a história acadêmica de nosso estado e de nosso país.

O professor Zeferino Vaz não está sozinho no panteão de nosso orgulho. O professor Ignacio Maria Poveda Velasco está com ele, para lhe fazer companhia e dividir, por igual, a reverência silenciosa que ambos merecem, para sempre.